domingo, 7 de novembro de 2010

E, finalmente, ele consegue me surpreender


Engraçado, mas meu amorgueco nunca tinha conseguido me surpreender, por mais que ele se esforçasse. Seu romantismo, gentileza e vontade incessante de me agradar e me satisfazer sempre faziam com que eu descobrisse o que ele estava planejando fazer através das perguntas que ele pensava serem dissimuladas.
Eis que ele resolve, então, mudar de estratégia. No último mês (outubro) meu amorgueco tirou uns dias de férias e veio me fazer uma visita – pra quem não sabe, ele mora no Pará. Ficamos um dia em Salvador e, em seguida, viajamos para Imbassaí, onde aproveitamos o sol, mar e rio durante alguns dias.
No início da viagem, sendo bastante sincera, eu fiquei um pouco decepcionada porque eu imaginava que ele me pediria em casamento,  devido a tantas conversas que tivemos a este respeito, tantas certezas, tantos planos, tanta vontade de ficarmos juntos. Discutimos até como queríamos as alianças. Mas não. Parecia que ele de nada se lembrava ou que isso era algo para ser ainda mais pensado, refletido. Não que eu estivesse desesperada por uma aliança no dedo, mas, se ele não objetivava fazer o pedido, por que então perdemos tanto tempo discutindo isso? Mas eu não reclamei - se ele não quer, eu também num tô nem aí  ;'(

Pouco a pouco, ele foi montando sua estratégia para me surpreender. Ele fingiu ignorar a situação, dissimulou, fez inclusive com que eu ficasse p.. da vida com ele.  Passamos três dias nessa situação. Eu me sentindo traída, ignorada, desamada e ele rindo por dentro e arquitetando o plano maligno naquela cabecinha .
Eis que no quarto dia, chegamos da praia, nos vestimos e saímos para jantar. Na volta, fui tomar outro banho, pois estava cheia de poeira – era o tempo que ele precisava para colocar o plano em ação.  Limpinha, deitei ao lado dele, sob o mosquiteiro – é, no quarto da pousada tinha um mosquiteiro, só faltavam os mosquitos hehe.

Bem, não vou entrar em detalhes, mas entre beijos, mordidas etc. e tal ele perguntou: “casa comigo?” e eu respondi “caso”. Eu não levei a sério, pois a gente sempre falava isso, era uma forma de dizer “te amo, quero casar contigo”. Mas dessa vez era pra valer. Então, ele perguntou de novo: “casa mesmo?” e eu, besta que só! “caso”. Ele então, todo fofo, pediu que eu pegasse alguma coisa que estava no mosquiteiro – detalhe, estava tudo escuro. Eu não entendi direito, fiquei meio abobalhada, sem saber o que pensar, mas reagi passando a mão no mosquiteiro e senti alguma coisa pendurada em uma linha. Eu peguei, claro, e senti que era um anel. Não acreditei. Fiquei sem reação, sem palavras, sem pensamentos, em estado de choque mesmo. Olhei pra ele, fiquei meio paralisada, com lágrimas nos olhos, o beijei  e devo ter dito “chéri, é sério?”. Não acreditava, juro que não.
Eu amo esse mec! Acho que vou dizer mil vezes: eu quero casar contigo.




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